O caminho até Buchecha & The Calling
O meu amigo Dani e os meios menos óbvios
Esse aqui é o Dani.
O Dani curte futebol pra caramba. Que nem eu.
O Dani é alucinado por Radiohead. Que nem eu.
Que nem eu, o Dani é chegado em clima ameno, culinária italiana, Yu Yu Hakusho e pequenas grandes obsessões, tipo passar horas tentando descobrir (e decidir) um par de headliners improváveis, sendo um internacional e o outro nacional, que estariam exatamente no limite do aceitável para que eu e ele comparecêssemos ao festival.
Tem regra.
Você não vai dizer Radiohead e Los Hermanos. Aí não vale. O combo é lógico demais, confortável demais. Nós dois estaríamos nas trincheiras do hard refresh, três navegadores abertos, cartão já salvo, disputando ingresso como se fosse final de Copa.
Também não me venha com Latino e Imagine Dragons, com todo o respeito —ao Latino. É que não rolaria mesmo. Existe um critério científico pra coisa. Não é bagunça.
É preciso deixar claro que não adianta forçar um Gorillaz e Wanessa Camargo, porque Gorillaz sozinho já resolveria a ida. O desafio mora naquele limiar, naquela linha tênue que faria a gente talvez (foco no talvez) sair de casa para assistir. Isso considerando que valor de ingresso não é uma questão, claro.
Bom, esse é o jogo.
E é curioso.
Com tanto gosto em comum, com tanta interseção possível entre futebol, música, anime e obsessões inúteis, a vida resolveu nos aproximar por dois caminhos que, honestamente, nunca foram os meus preferidos: a religião, tema ao qual sou bastante indiferente hoje em dia, e o MMA, assunto que nunca me importou de verdade. Meu negócio sempre foi a narrativa, o faz de conta da WWE, os personagens maiores que a vida, os roteiros mal disfarçados.
Enfim... De todas as portas possíveis, foi justamente por essas duas que, há mais de 15 anos, a gente entrou. E eu cravo: sem elas, talvez eu nunca tivesse conhecido o Dani.
Como falei, é curioso. A vida é meio aleatória.
No futebol, somos distintos. Eu costumo fazer minhas ações de cabeça baixa, concentrado nas tarefas imediatas, resolvendo o que está ali na minha frente. Até que levanto a cabeça e enxergo tudo. E que alívio! Alívio quando encontro o Dani, a metros de distância (que na minha mente viram quilômetros), perfeitamente posicionado para receber o passe entrelinhas e fazer o que considero mais difícil no esporte: o gol.
O Dani, em campo, também sempre me encontra. Mas ele é bem mais inteligente. Com elegância, ele lança no ponto futuro. Dani observa, me conhecendo como poucos, os meus próximos passos e passa a bola não onde eu estou, mas exatamente onde sabe que eu estarei no próximo segundo. Ele antevê o cenário. Coisa de ansioso.
Por meios distintos e, às vezes, menos óbvios, sempre nos encontramos. E o roteiro se repete na vida — e já nos perdemos um tantão. E é assim, então, pra mim, também, um alívio.
Jogamos como vivemos.
A foto de capa (já minha favorita nossa) foi tirada no meu lugar favorito no mundo: Belo Horizonte. Lugar que ele também aprendeu a amar, incorporando mais isso à nossa lista de convergências.
Olha. É bem provável que minha vida sem esse cara tivesse cores muito mais pálidas. É que eu sou sortudo e não precisei descobrir isso.
Buchecha & The Calling, a quem interessar, foram os headliners escolhidos no nosso último line-up fictício. Nenhum dos dois é exatamente atraente sozinho, mas numa situação de 0800, na nossa cidade, pertinho de casa, a gente talvez, mais pra sim que pra não, encarasse um Fico Assim Sem Você e Wherever You Will Go. Também não é uma certeza, claro. Certamente não se tivesse algo mais importante passando na TV, tipo West Ham x Volta Redonda. Já pensou? Mas aí é outra brincadeira.
Sem exageros, levamos umas três horas pra chegar nessa conclusão — a contragosto dos que tiveram que testemunhar o desenrolar dos argumentos, inclusive. E o melhor, como quase sempre é com o Dani, não foi a resposta.
Foi o caminho até lá.





Caralho, quer me fazer chorar? Porra, eu sinto a mesma sorte ou mais, desse caminho improvável. Muito do que sou hoje tem sua influência, principalmente na forma de enxergar a vida! E você sabe como a vida tem sido mais bela pra mim!
Macho, que lindo oh! Duas pessoas fenomenais e que sempre convergem na vida, é de trazer uma felicidade boa demais. Amo vocês!